Existem mais pessoas transgênero com TEA?
E qual a relação com a orientação sexual?
Gênero refere-se aos comportamentos e atitudes considerados típicos de homens ou mulheres em determinado contexto cultural e histórico.
Se esta informação lhe parece estranha, tente pesquisar um pouco alguns exemplos:
- As roupas associadas a cada gênero variam conforme a região, a época;-
- Os estereótipos de gênero ligados a profissões e ao mercado de trabalho também variam.
No TEA, prejuízos na interação e na cognição social podem dificultar a percepção de gênero. Interesses restritos, déficit de flexibilidade cognitiva e sensibilidades sensoriais podem gerar uma sensação de não pertencimento a um mundo neurotípico, reduzindo tanto as oportunidades quanto a qualidade das relações sociais.
Além das hipóteses psicossociais, pesquisadores consideram também fatores do desenvolvimento pré-natal e influências hormonais intrauterinas.
Até pouco tempo, acreditava-se que adolescentes e adultos com TEA fossem majoritariamente assexuais.
Será?

No estudo “Sexual Orientation, Gender Identity, and Romantic Relationships in Adolescents and Adults with Autism Spectrum Disorder” (DeWinter et al., 2017) foram encontradas algumas informações importantes, apesar de haverem algumas limitações que cito:
- pouco mais de 10% dos participantes tinham menos de 25 anos, o que dificulta conclusões sobre infância e adolescência;
- quase 25% foram classificados como Transtorno Invasivo do Desenvolvimento sem outra especificação (CID-10 F84.9);
- metade dos participantes tinha diagnóstico de síndrome de Asperger, síndrome descrita desde 1944, com linguagem e cognição relativamente preservadas, mas mesmo assim com os desafios na comunicação e intenções sociais e interesses restritos característicos do TEA.
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Principais achados

- Uma parcela significativa das pessoas no espectro não se identifica de forma binária.
- Embora isso seja mais comum entre as designadas mulheres ao nascer, a proporção de quem se identifica predominantemente com o gênero oposto é semelhante nos dois sexos.
- Mais de 40% das mulheres com TEA não se atraem apenas por homens, e quase 20% dos homens com TEA não se atraem apenas por mulheres.Quase 15% das mulheres e 5% dos homens no espectro não se atraem nem por homens nem por mulheres.
Assim, orientações sexuais não heterossexuais são mais frequentes no espectro do que na população geral.

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Um convite à reflexão
Por mais que muitas pessoas com TEA desejem relacionamentos, a maioria não consegue mantê-los.
Isso evidencia os obstáculos sociais severos que enfrentam.Quem está no espectro precisa de acolhimento e compreensão:
- não ser julgado por identidade ou expressão de gênero;
- não ser julgado pela orientação sexual;
- não ser julgado por estar solteiro (afinal, sempre há quem pergunte “quando vai arrumar um namorado/namorada?”).
Pais, familiares, amigos e colegas de pessoas com TEA: Ofereçam apoio incondicional, sem questionar gênero ou orientação sexual.
Um grande abraço!

