Nenhum autismo é “leve”

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Quando falamos de pessoas sem deficiência intelectual e com linguagem funcional relativamente preservada, grau de suporte Nível 1, estamos lidando com um perfil de “alto funcionamento” que, na prática, enfrenta desafios sérios, porém menos óbvios.

Conheça sete aspectos nos quais um portador de TEA Nível 1 pode tropeçar:

1.  Dificuldades sutis na Leitura e reciprocidade social

   • Dificuldade para captar ironias, sarcasmo, metáforas e alusões implícitas

   • Trocas de conversa que descambam para monólogos: a pessoa domina o tema, fala em detalhes, mas não percebe que o interlocutor já perdeu o interesse e a atenção

   • Manter o “vai e vem” do diálogo — entrada, resposta, retorno — exige um esforço extra de monitoramento social

2. Comunicação pragmática afetada 

   • Uso de linguagem pedante, formal ou excessivamente literal

   • Dificuldade para ajustar o tom de voz, volume e ritmo conforme o contexto (vídeo-chamada, sala de aula, reunião de trabalho)

   • Problemas para reformular ideias após um mal-entendido (“reparo de comunicação”), o que gera impasses rápidos

3. Rigidez cognitiva e resistência à mudança 

   • Mudar de uma tarefa para outra ou de um ambiente para outro podem desencadear ansiedade

   • Dificuldades em planejamento e gestão do tempo: prazos, quebra de projetos em etapas, priorização de tarefas

4. Aspectos e dificuldades sensoriais

   • Barulhos de fundo em nível moderado tiram a atenção ou provocam desconforto

   • Iluminação, estampas fortes e cheiros podem ser fontes de irritação, mesmo sem uma reação imediata

5. Cansaço de “camuflagem” 

   • Esforço contínuo para imitar comportamentos sociais — sorrir em situações incômodas, manter contato visual prolongado — pode gerar um desgaste emocional

   • Crises de ansiedade, principalmente em ambientes que não entendem essas demandas

6. Dificuldades na construção e manutenção de laços afetivos 

   • Amizades muitas vezes ficam em um patamar superficial; há dificuldade em desenvolver intimidade emocional e empatia situacional — ainda que o desejo de conexão exista

   • Em relacionamentos amorosos, o/a parceiro/a pode se sentir rejeitado/a quando espera leitura de sentimentos não verbal ou apoio emocional “expresso”

7. Desafios no mercado de trabalho ou na faculdade 

   • Reuniões informais, café-break e conversas de corredor, onde nascem oportunidades e network, passam despercebidas

   • Feedbacks subjetivos, como “seja mais comunicativo”, “mostre mais iniciativa”, sem exemplos concretos geram confusão

Exemplos de Estratégias de suporte:

– Estratégias para organização e planejamento, estruturando rotina e tarefas

– Estratégias ambientais, espaços de trabalho silenciosos, uso de fones com cancelamento de ruído

– Treino de habilidades sociais em grupo, com role-plays e feedbacks claros

– Terapias que desenvolvam autorregulação emocional

Conhecer os pontos fracos é essencial para trabalhá-los e definir as prioridades da intervenção e da terapia.